
Férias curtas, rápida viagem em família. Família familinha: pai, mãe e filhos, só. Cinco dias juntos e vivemos momentos de plena felicidade.
Eu sempre quis engravidar, desde pequena sabia que estava nesse mundo para ser mãe. Não dava muita bola pra isso, porque pra mim era algo tão natural que achava que todos sentiam assim!
Pra mim o desejo de engravidar nunca passou pelo racional. Não passou nem pelas informações nem pela consciência nem pelo planejamento e análise orçamentária. Pra mim é totalmente útero, vísceras e instinto. Pra mim é mais que desejo, é necessidade, é chamamento. Afinal se dependesse do desejo... desejo de engravidar eu tenho desde criança, quando adolescente eu tinha raiva de ver mulheres grávidas, uma inveja me corroía e eu pensava por que tem que esperar tanto pra chegar minha vez?
Engravidei da Tete sem estabilidade financeira, sem renda fixa, marido também sem emprego. Engravidei do João sem querer querendo, não planejava mas deixava que acontecesse; já tinha emprego e renda fixa, mas também uma monte de dívidas da época em que fiquei com a Tete em casa.
Concordo que o bebe traz junto um ganha-pão: eu sou prova disso total.

Pirei uma fase na gravidez do João em que a Tete ficou extremamente terrível. Consegui com muito esforço e paciência entender o momento dela e mudar nossa maneira explosiva de se relacionar, assumindo meu papel de adulta de quem se espera mais equílibrio e permitindo somente a ela o papel de criança emocionalmente imatura.
Quando o João nasceu eu não pirei. Assumi que viveria 100% pra ele durante a licença maternidade, chorei ao ver o quanto deixei minha pequena Tete mais solta para o mundo - e ainda choro ao constatar essa cruel necessidade da vida - e mantenho até hoje uma postura quase abnegada de aceitar minhas noites picadas, meu peito invadido por mãozinhas mamonas, minha roupa puxada por criança manhosa - mentira que isso eu não aceito, detesto que puxem minha roupa, rsrs.... Sei que eu precisava urgentemente fazer uns cursos pra me reciclar, meu corpo está pedindo atividade física, tem programas que gostaria de fazer e não posso. Mas essa é minha vida hoje e sei que ela não vai durar pra sempre. Saio com minhas amigas depois que as crianças dormiram, volto tarde, durmo pouco, mas pelo menos vivi um pouco sozinha, sem comprometer um dos poucos horários em que estaria com eles. Sou difícil de deixá-los pra ir fazer alguma coisa sem eles, mas isso porque já trabalho o dia todo. Em geral vejo se eles podem me acompanhar, ou então escolho outro programa pra fazer. Nessas vou adiando tanta coisa... Coisas que ficam pra depois, quando eu tiver mais tempo, quando der, quando...
É verdade que tenho muita ajuda, além de marido e empregada - não conseguiria mais viver sem! - tenho sogra companheira em casa, tenho bolsa na escola, e tenho pai e mãe pra uma eventual força extra.Mesmo assim tem horas que piro na batatinha, claro! Ontem fiz uma pequena viagem sozinha com os dois no carro, 1h30 de estrada. Cheguei lá e demorei quase 2 horas pra me ambientar, me acalmar do piti que tive que dar no carrro! Tem horas que parece que eles se unem contra a gente, eles fazem exatamente aquilo que pedimos pra não fazer. Tem horas que viramos monstro mesmo e aiaiai que sai de baixo! Mas depois a gente se acalma, pede desculpas - ontem fui pedir desculpas pra Tete, tinha falado um monte pra ela, coitada, e ela me respondeu : mas eu nem chorei, mãe! Quer dizer, eu me abalei mais com meus nervos do que ela, pelo menos, rs...
Mas tem uma coisa que é indescritível de apaixonante: acompanhar o amor dos irmãos crescendo é demais!!! Óbvio que tem horas que um bate no outro que mordeu o um que puxou o cabelo do outro que pegou o brinquedo do um e por aí vai. Mas eles brincam juntos, eles se ensinam coisas, eles são mamãe e filhinho, eles jogam bola, eles esperam o outro chegar, eles fazem festa pro outro, eles querem que o outro acorde, eles enlouquecem a gente juntos, eles se consolam quando eu brigo com um só, eles se amam e isso é lindo de ver.
Ainda quero um terceiro. Mas não quero emendar outro na bagunça que a casa já está pra passar tudo de uma vez. Quero quando tudo estiver mudando, quando eles estiverem me exigindo outras coisas, quando eu estiver tendo que encarar a temida adolescência pela frente... quando Tete tiver seus 12, Janjuco uns 9... aí encomendo o terceirinho quase temporão pra botar fogo no terreiro de novo e bagunçar toda a rotina de novo - se é que até lá ela vá existir...
E quando penso que ter filhos é enlouquecedor e pirante vejo alguma amiga da minha idade ainda sem filhos e tenho certeza : eu preciso ter filhos para viver, não saberia ser uma mulher de 30 anos (ou mais, hehe) sem meus filhos pra me enlouquecer!!!
Essa sou eu, nasci pra ser mãe e vivo pra isso absolutamente realizada!
Créditos: as fotos publicadas são de autoria do Guga Ferri.
3 comentários:
Pauuuullllliinha que delicia! amei seu texto, sua verdade! que bom que te achei!
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